AM: Reabilitado ganha bolsa integral para curso de Direito

Publicado: 12/02/2016 18:25
Última modificação: 12/02/2016 18:45

A conquista se deu por causa da elevação do seu nível de escolaridade no Programa de Reabilitação do INSS

Ansioso, José Fernando foi conhecer a sala de aula que frequentará a partir desta segunda-feira.

Ansioso, José Fernando foi conhecer a sala de aula que frequentará a partir desta segunda-feira.

De Manaus (AM) – O segurado reabilitado pelo INSS José Fernando dos Santos, 35 anos, dará início nesta segunda-feira (15) a mais uma etapa de sua vida, marcada por momentos de superação. No dia 15 de fevereiro, José Fernando será o primeiro aluno da Faculdade Nílton Lins, oriundo do Programa de Reabilitação Profissional da Gerência Executiva do INSS em Manaus, a usufruir de uma bolsa de 100% na instituição de ensino superior. Esta conquista se deu após a aprovação no vestibular realizado no final de 2015.

Na opinião de José Fernando, “Deus Escreve certo por Linhas Tortas” e sua história de vida confirma esse dito popular. A história de superação de José Fernando começa quando, ainda menino, se viu diante da necessidade de ajudar seus pais na criação de seus outros sete irmãos. Contratado como menor aprendiz por um supermercado, trabalhou por seis anos como empacotador e office-boy. Ao atingir a maioridade, agora para sustentar sua própria família, já que foi pai aos 17 anos, desenvolveu diversas atividades no mercado formal nas áreas de serviço gerais, almoxarife, motoboy, entregador de pizza e barman.

No início de 2011, diante da necessidade de ganhar mais para manter sua própria família, formada por esposa e cinco filhos, José Fernando optou pela informalidade e passou a desempenhar, em sociedade com um irmão, a atividade de bartender profissional. Nesta profissão, ele preparava bebidas diferentes e as servia acompanhadas de malabarismo.

A vida prosseguia tranquila, até que no dia 13 de agosto de 2011, ao retornar de viagem ao município de Manacapuru, onde havia atuado como bartender, nos três dias de Festa da Ciranda, José Fernando foi vítima de um grave acidente de carro, que causou o esmagamento de seu braço esquerdo e a consequente limitação para atividades que exigiam esforço físico com os membros superiores.

Depois da cirurgia que introduziu uma prótese no ombro, José Fernando passou por um período de recuperação tão sofrido que chegou a pedir a Deus que lhe tirasse a vida, até porque não sabia como garantir o sustento de sua família. Estava consciente de que, com a limitação do ombro, nunca mais poderia voltar a atividade de bartender e também de que, sem contribuir para o INSS, não teria direito a qualquer benefício previdenciário.

Direito garantido – Mas foi nesse cenário que as coisas começaram a mudar. Orientado pela assistente social do próprio hospital, José Fernando descobriu que embora estivesse sem contribuir para a Previdência Social, há alguns meses, estava ainda no período de graça, situação em que, mesmo sem contribuir, a pessoa mantém garantido o direito aos benefícios previdenciários.

Ao receber alta do hospital, providenciou o agendamento junto à Previdência Social para requerer o auxílio-doença. O benefício foi concedido em fevereiro de 2012, após a perícia médica concluir que o segurado possuía limitação significativa que o impedia de exercer suas funções laborais e necessitava ser reabilitado em função compatível a sua situação física.

Em junho de 2012, ele foi encaminhado a reabilitação profissional, período em que incentivado pela Equipe de Reabilitação, elevou a sua escolaridade participando do programa Educação de Jovens e Adultos – EJA.

Com base na avaliação médico pericial e socioprofissional – que concluiu ter o segurado potencial laborativo para atividades como padeiro, auxiliar administrativo e outros no ramo da hidráulica, José Fernando não perdeu uma só oportunidade. Ele  participou de todos os cursos propostos pelo INSS, dentre eles: Informática Básica e Avançada, Pizzaiolo, Padeiro, oferecidos por instituições referência do Sistema “S” – conjunto de organizações das entidades corporativas voltadas para o treinamento profissional – e, mais recentemente, do Curso de Empreendedor oferecido pelo SEBRAE.

Em setembro de 2015, mais uma vez incentivado pela equipe de Reabilitação do INSS, José Fernando concorreu a uma das seis bolsas integrais oferecidas pela Faculdade Nilton Lins para pessoas de baixa renda com deficiência ou reabilitadas pela Previdência Social. Dessa forma, ele conquistou a única vaga oferecida a reabilitados para o Curso de Direito.

Após concluir todas as etapas sugeridas pela Equipe de Reabilitação Profissional, o segurado foi considerado apto para o exercício da função de empreendedor na área de panificação e agora pretende, como forma de garantir o sustento de sua família, e com os conhecimentos adquiridos no período em que permaneceu no programa, montar uma empresa para fornecer salgadinhos para pequenos e grandes eventos.

Consciente e agradecido, José Fernando alerta aos segurados que se encontram no programa de Reabilitação Profissional para a importância de participar dos cursos oferecidos pelos orientadores do INSS. “O objetivo deles é sempre obter o crescimento profissional do segurado, permitindo sua reinserção no mercado de trabalho. Aproveitem a boa vontade deles”, sugeriu.

José Fernando faz ainda questão de afirmar que “sob a orientação dos técnicos do Programa de Reabilitação Profissional do INSS, vislumbrei possibilidades de exercer outros ofícios e não perdi uma oportunidade sequer. Nesta nova empreitada, em que vou iniciar um empreendimento comercial, vou aplicar os conhecimentos adquiridos nos diversos cursos dos quais participei, gratuitamente, por intermédio do INSS.” afirmou

Sgundo ele, o programa de Reabilitação Profissional deve ser encarado pelo segurado como mais uma chance que Deus dá aos acidentados, com sequelas, para que se reinventem e transformem suas vidas em momentos de superação. “Inspirem-se em histórias onde a dor foi transformada em ações concretas e bola pra frente. Momentos difíceis fazem parte da vida de todas as pessoas. A grande diferença, entretanto, é como cada um de nós lida com essas dificuldades”, concluiu. (SCS/AM)